quinta-feira, 7 de abril de 2011

Go.

Encontro a Ginger na porta do cinema. Acho que estou condicionado a sorrir toda vez que a vejo. A minha boca reage instantaneamente. Ela está usando uma calça jeans e um top verse. Simples. E linda. Algo me diz que ela tem muito de Kubikova e vice-versa. A vida imita a arte, ou eu, simplesmente, copio. A garota dos meus sonhos existe e está vindo ao meu encontro. Se eu fosse cineasta, colocaria a câmera bem onde estou. Assim, eu a veria, em câmera subjetiva, descer a rua apressada entre passos alternados, a sua bolsa balançando, sua mão se agitando, harmoniosamente, e o exato momento em que leva a mão para jogar o cabelo por trás da orelha. Em seguida, ela me enxergaria, sorriria e apertaria ainda mais o passo. Só cortaria quando ela entrasse em close, exatos dois segundos antes de me beijar.

— Demorei?
— Posso pedir uma coisa?
— O quê?
— Você poderia ir até a esquina e descer a rua de novo?
— Por quê?
— Porque eu quero registrar isso.
— Onde? Como?
— Na minha memória.
Ela sorri. É um festival de sorrisos.
— Ok. Vou lá então.
— Não se esqueça que você está descendo pela primeira vez a rua – eu quase grito.
— Entendi – ela responde de costas.

Gui chega até a esquina. faz pose e desce a rua como se estivesse atuando. Eu ligo a minha câmera imaginária. Registro todos os movimentos. Penso em como vou me lembrar disso até o fim dos meus dias. Pensando em como a lembrança ainda é melhor que a máquina fotográfica. Agora, cinematograficamente, eu gravo frame por frame na minha memória, expondo a luz e meus sentimentos, e projeto na minha retina as imagens que voltarei sempre a enxergar toda vez que sentir um dia nublado entre a ausência e o encontro da pessoa que, possivelmente, vai causar mais falta e mais completude, ao mesmo tempo, na minha vida.



Livro 'Go' de Nick Farewell

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